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Escorregão diplomático de Paulo Guedes acende a luz vermelha no maior parceiro do Brasil na América Latina
30/10/2018 19h00
Reprodução

Mercosul e a Argentina não serão prioridade para o Brasil no governo Bolsonaro

O Mercosul e a Argentina não serão prioridade para o Brasil no governo Bolsonaro. A orientação foi revelada pelo economista Paulo Guedes ao jornal argentino Clarín e causa preocupação não só entre os países integrantes do bloco, mas nos representantes da indústria nacional.

Guedes, praticamente sacramentado como ministro da Fazenda do futuro governo do capitão, precisou pedir desculpas pela declaração. Mas o estrago já estava feito — e corroborado por outras sinalizações feitas por Bolsonaro e sua hoste no campo da política externa.

O futuro governo não vê vantagem na união alfandegária assegurada pelo Mercosul (integrado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai —com Bolívia em processo de adesão e Venezuela suspensa), preferindo uma zona de livre comércio para poder “comerciar com todo mundo”, sem levar em conta que a integração sul-americana estimula os parceiros a comprarem mais do Brasil.

“Sócio ameaça”

“O sócio agora é uma ameaça”, reagiu o jornal argentino Página 12, para quem a animosidade de Bolsonaro e sua hoste à Argentina seria fruto de uma “antipatia” pelo país vizinho e pelo Mercosul, mas também expressão de um plano de “feroz abertura” comercial que não interessa nem aos argentinos nem à indústria brasileira e muito menos aos trabalhadores do Brasil.

O diário argentino ressalta que “no plano mais estrutural”, a política de Bolsonaro vai se basear em privatizações na precarização das condições de trabalho o Brasil para garantir “mão de obra muito barata e extremamente domesticada” para tentar atrair investimentos. Isso pressionaria a Argentina a adotar medidas semelhantes para competir na lógica da “nivelação por baixo” em termos de condições de trabalho e salários.

O Página12 cita o economista brasileiro Eduardo Crespo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, para quem “a ideia de Guedes é bajar a intensidade da relação com a Argentina e alinhar-se aos Estados Unidos” o professor não descarta a tentativa de ressuscitar a ideia já derrotada da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).

“Argentina não é prioridade”

No último domingo (28), logo após a confirmação da vitória de Bolsonaro no segundo turno, Paulo Guedes foi indagado em entrevista coletiva pela enviada especial do Clarín, Eleonora Gosmann, sobre o futuro das relações do Brasil com o Mercosul.

Acusando o bloco de ser “ideológico”, Guedes tentava contornar o tema e ante a insistência da repórter, disparou: “Não, a Argentina não é prioridade. O Mercosul também não é prioridade. É isso o que a senhora queria ouvir? Conheço esse estilo. A Argentina não é prioridade. Para nós, a prioridade é negociar com o mundo todo”.

Após cair em si, Guedes se desculpou, nesta terça-feira (30), e botou a culpa do escorregão diplomático na jornalista Argentina, que o teria deixado “sufocado” (veja abaixo os links para as matérias do Clarín).

Parceiro de qualidade

Os parceiros do Mercosul, somados, representaram mais de US$ 292 bilhões em volume de exportações brasileiras, no período de 2007 a 2015. No período 2017/2018, o Brasil exportou um total de US$ 42,7 bilhões para os países do bloco.

Para se ter uma base de comparação, no mesmo período o maior importador de produtos brasileiros, a China (que compra soja, aço e óleo cru), principalmente, respondeu por US$ 311,9 bilhões das exportações do País. Os Estados Unidos (basicamente, importadores de petróleo bruto), compraram US$ 299,9 bilhões.

Mas, mais importante do que os valores vendidos ao Mercosul é a qualidade dessas exportações, onde predomina a produção industrial do setor automotivo e tratores.

Ou seja, a demanda do Mercosul contribui para a geração de empregos mais qualificados, formais e com melhor remuneração aqui no Brasil.

Números não explicam

O deslocamento do foco das relações diplomáticas e comerciais do Brasil na América Latina, privilegiando o Chile em detrimento da Argentina, não se explica pelos números registrados na balança comercial.

A Argentina é o terceiro maior importador de produtos brasileiros, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Entre 2003 e 2015, as vendas para o Chile, sétimo colocado entre os importadores de produtos brasileiros, somaram US$ 51 bilhões. No mesmo período, as exportações do Brasil para a Argentina totalizaram US$ 184,3 bilhões, volume 3,6 vezes maior.

No período 2017/2018, a Argentina importou um volume equivalente a US$ 29,89 bilhões, enquanto as compras feitas pelo Chile representaram US$ 9,67 bilhões, ou cerca de um terço.

Visitas

Outro ponto que está sendo tomado como sinalização de um esfriamento das relações do Brasil com a Argentina foi o anúncio da equipe de Bolsonaro sobre as primeiras viagens internacionais que ele faria, com a escolha de Chile, Estados Unidos e Israel.

Esse anúncio foi um dos temas da reunião desta terça-feira (30) do presidente argentino Maurício Macri com seu ministério.

Falando à imprensa, o chanceler argentino, Jorge Faure, tentou minimizar o desdém de Bolsonaro expresso nas declarações de Guedes e nas prioridades de sua agenda internacional. “São apenas manchetes de jornal”, disse ele ao Clarín, mas “os movimentos da próxima administração do Brasil causaram perplexidade na Casa Rosada”.

Nostalgia de Pinochet

Uma explicação para a preferência manifestada por Bolsonaro e sua hoste pelo Chile pode não ter nada a ver com o Chile real—uma democracia onde vale a Constituição, atualmente sob governo conservador.

Por várias vezes, o capitão/presidente já manifestou sua admiração pelo passado sombrio daquele país, os 17 anos da ditadura de Augusto Pinochet, responsável por pelo menos 40 mil assassinatos. Essa, sim, é uma escolha ideológica — além de nostálgica e descambando para o fetichismo.

Interlocutores próximos

Além disso, Jair Bolsonaro conta com entusiasmados interlocutores na extrema-direita chilena, como a presidenta do partido União Democrata Independente (UDI), Jacqueline van Rysselberghe, ligada à seita católica fundamentalista Opus Dei, e o ex-deputado José Antonio Kast, dissidente da UDI e hoje independente.

Tanto Rysselberghe quanto Kast fizeram questão de visitar Bolsonaro no Rio de Janeiro, em meados de outubro — os encontros foram realizados com menos de 24 horas de intervalo, nos dias 17 (com Rysselberghe) e 18 (com Kast).

O ex-deputado Kast representou a extrema-direita na última eleição presidencial no Chile.

Os temas dos encontros de Bolsonaro com Rysselberghe e Kast , informa o jornal chileno La Tercera, foram “a estratégia digital da campanha de Bolsonaro, suas propostas econômicas e as coincidências com o modelo de desenvolvimento chileno”.

Presidenta Nacional do PT anuncia uma série de agendas para evitar retrocessos e a primeira luta será barrar a reforma da Previdência ainda este ano

30/10/2018 17h51 – atualizado às 18h16
Paulo Pinto

Gleisi, Paulo Pimenta e Guimarães participam de coletiva de imprens

Menos de dois dias após o fim das Eleições, o governo eleito já deu início à articulação para dar continuidade à agenda de retrocessos colocada em prática pelo golpista Michel Temer como a reforma da Previdência. E barrar a movimentação do radical da extrema-direita para acelerar medidas, que sequer foram debatidas com a população, será a prioridade imediata das bancadas do PT, conforme antecipou nesta terça-feira (3) a presidenta do partido, a senadora Gleisi Hoffmann. “A primeira resistência agora é impedir que a aliança entre Temer e Bolsonaro retire direitos da população brasileira”.

Durante o pronunciamento concedido logo após reunião da Comissão Executiva Nacional do Partido em São Paulo, Gleisi também enalteceu a militância e a postura propositiva de Fernando Haddad, a quem chamou de grande liderança do partido ao lado de Lula. “O PT, apesar de não ter conquistado à Presidência, demonstrou resistência e sai fortalecido. O papel do Haddad, agora mais do que nunca, é de extrema relevância em todo o cenário nacional (…) A defesa da liberdade do ex-presidente Lula também seguirá no centro da nossa luta “, completou.

Paulo Pinto

Fernando Haddad participa da reunião da Executiva do PT

Sobre a reforma da Previdência, a preocupação é ainda mais urgente, já que o extremista do PSL deixou claro que irá se aproximar do governo ilegítimo antes mesmo do dia 1º de janeiro para “aprovar alguma coisa do que está em andamento lá, como a reforma da Previdência, se não o todo, parte do que está sendo proposto”.

Para Gleisi, barrar novamente a proposta que afetaria a aposentadoria de milhões de brasileiros e brasileiras é a primeira grande luta que será travada pela oposição contra o futuro governo. “Já fizemos isso antes e faremos de novo porque consideramos que a reforma retira direitos do povo brasileiro. Ela não tem o apoio popular. A proposta não foi debatida pela população nem pelo Temer, nem pelo Bolsonaro. Ela não está no programa de governo do candidato, ela não foi levada a debate. Portanto, não há legitimidade nem dele, nem de Temer para aprovar uma reforma desta envergadura”, avaliou a presidenta.

Outras pautas também preocupam Gleisi: uma delas é a sessão onerosa do Pré-sal que está no Senado. “Estão fazendo articulação de conluio entre os governos de Temer e Bolsonaro para que a entrega do patrimônio que pertence aos brasileiros seja aprovada o mais rápido possível.  Nós achamos que este projeto é um crime de lesa-pátria contra a soberania nacional e os interesses do Brasil”.

Autoritarismo e violência

O discurso de ódio foi a marca registrada de Jair Bolsonaro durante a campanha e suas implicações futuras também despertaram resposta imediata das bancadas do PT no Congresso. Com vasto histórico de ataques a gays, negros, mulheres, pobres e nordestinos, Bolsonaro ampliou a sua violência verbal ao prometer acabar com os movimentos sociais do país.

Para isto, já articula para colocar em prática mais um absurdo: transformar qualquer movimento ou manifestação em ato de terrorismo. “Isso é uma tragédia nas liberdades dos movimentos populares e isso nos preocupa muito. Vamos nos colocar contrários e esperamos que esta seja a movimentação de todos os partidos”, prosseguiu Gleisi.

Paulo Pinto

Reunião da executiva nacional com Haddad

Para enfrentar a anunciada violência do próximo governo, o PT pretende criar uma rede democrática de proteção solidária que envolve diversas frentes da sociedade: “Vamos organizar todos os advogados do partido e todos aqueles que militam na área de direitos humanos. Vamos fazer um convite a juízes pela democracia para que possamos ter a resposta pronta para denunciar violações aos direitos humanos e civis e também à liberdade de expressão”.

Proteção a Lula

Grande parte do ódio disseminado pelo candidato do PSL tem como alvo o ex-presidente Lula, que deixou o cargo com mais de 85% de aprovação e revolucionou o Brasil. Diante das ameaças, outra decisão extraída após a reunião com a Executiva Nacional do PT foi a criação de uma corte de solidariedade democrática pela liberdade de Lula.

“Nós nos preocupamos muito com isso. O último discurso do candidato eleito não tem a ver com os direitos das pessoas: ele disse que quer deixar Lula apodrecer na cadeia. Tememos até pela vida do ex-presidente. Ele tem que ter seu processo julgado de forma justa. Ninguém pode decidir o que fazer com ele antes do seu processo ser julgado de forma justa. É isto que vamos fortalecer em nossa luta”.

A corte de solidariedade também passa pela criação de observatório internacional. “Queremos que o mundo olhe para a nossa população indígena, para a nossa população negra, para os LGBTs, para os movimentos sociais e que a gente também tenha a quem recorrer internacionalmente e garantir o direito de liberdade de expressão, integridade dos jornalistas, enfim para tudo aquilo que construímos a partir da Constituição de 1988”, concluiu Gleisi.

Por Henrique Nunes da Agência PT de Notícias

Apesar dos argumentos de que mudanças pretendidas pelo governo Temer tornariam mais equânimes as aposentadorias, algumas categorias continuarão com privilégios
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 11/12/2017 15h20

Brasília – Apesar dos argumentos que têm sido propagados por integrantes do governo Michel Temer de que a proposta de reforma da Previdência vai ajudar a acabar com grandes aposentadorias, equiparar cálculosbenefícios de forma mais equânime e corrigir distorções nos valores pagos aos brasileiros que trabalharam durante o mesmo período e executaram funções semelhantes, não é isso o que apontam estudos feitos por várias entidades.

Especialistas em contas públicas afirmam que, da forma como está disposto, o texto em tramitação afetará de forma muito pequena os privilégios hoje observados. Isto porque, em muitos casos, as altas aposentadorias correspondem a direitos adquiridos (como no Legislativo) por servidores que recebem o teto de suas categorias ou porque determinados setores não serão atingidos pelas regras previdenciárias, como os militares.

Para se ter ideia, conforme dados do IBGE de 2016, enquanto o benefício médio pago pelo INSS é de R$ 1.862, um aposentado do Congresso ganha, em média R$ 28.527, e do Judiciário, R$ 25.832. Entre os três poderes, a menor aposentadoria média é a dos funcionários do Executivo, que está em R$ 7.500 em média – valor, este, aproximado ao dos militares.

No caso dos militares ficou acertado que Ministério da Defesa e Forças Armadas vão preparar, posteriormente, uma proposta de previdência específica para eles. Mas a situação é considerada preocupante por conta das diferenças de gasto da União com estas aposentadorias.

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de junho passado afirma que o gasto da União com as aposentadorias dos militares é 17 vezes maior que o gasto com um aposentado comum. O tribunal destacou, após avaliação das contas da Previdência, que enquanto a despesa com cada beneficiário do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) custou em 2016, R$ 5.130,66 na média, com cada militar inativo ou pensionista de militar o gasto ficou em R$ 89.925,30.

A explicação é simples. No RGPS, a Previdência recebe contribuições de empregados e de empregadores. Mas no caso dos militares, é o próprio Tesouro o responsável por todas as despesas.

O levantamento do TCU também mostra que o Tesouro gastou em 2016, R$ 56.893,32, em média, com cada beneficiário do RPPS que atende especificamente aos servidores públicos federais – valor 11 vezes maior ao gasto com quem recebe pelo RPPS.

Encargos e pensões

No Judiciário, a última edição do estudo intitulado Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que faz uma espécie de recorte de todos os tribunais, destacou que o gasto médio com cada julgador (incluindo nessa conta juízes, magistrados e ministros) no Brasil é de R$ 47,7 mil por mês.

Neste valor estão incluídos, além do salário, benefícios como férias e 13º salário e despesas indenizatórias – caso de diárias, passagens e verbas de auxílio moradia. Também estão incluídas nesta conta aposentadorias, encargos de INSS e pensões a familiares.

Os responsáveis pelo estudo destacaram que o valor não significa dizer que os juízes estão recebendo acima do teto constitucional (de R$ 33 mil), mas que o gasto calculado do Judiciário levou em conta todos os pagamentos feitos aos magistrados e não apenas os salários. O valor representa um crescimento de 3,3% dos gastos do Judiciário na média mensal calculada em 2015 –  percentual que se refletiu para as despesas com aposentadorias.

Também no Congresso Nacional, o principal gargalo nas aposentadorias não poderá ser resolvido com a reforma, porque os servidores que mais recebem altos salários têm direito adquirido. De acordo com análise feita pelo jornalista Lúcio Vaz para o site Congresso em Foco (divulgado em fevereiro passado), o Congresso tem 5 mil servidores de carreira na ativa e 10 mil aposentados e pensionistas.

A conta da Previdência é deficitária no caso do Legislativo, sobretudo, porque enquanto a proporção entre contribuintes e beneficiários no INSS é de dois por um, na Câmara dos Deputados e no Senado essa proporção se inverte: dois aposentados para cada servidor na ativa. Além disso, o acúmulo de vantagens pessoais e gratificações e a maior concentração de servidores aposentados no topo da carreira acentuam ainda mais o desequilíbrio.

Segundo o trabalho realizado pelo Congresso em Foco, no total, Câmara e Senado arrecadam R$ 718 milhões de seus contribuintes por ano. Mas precisam pagar, anualmente, R$ 3,1 bilhões em benefícios para tentar fechar essa conta. Ou seja: o déficit é de R$ 2,4 bilhões ao ano. E a situação não vai mudar por enquanto, já que os servidores que estão na ativa e possuem os altos salários, não serão afetados pela reforma (têm direito adquirido).

Salários no teto

Dados das mesas diretoras das duas Casas legislativas mostram que, somente na Câmara, são 11.036 analistas legislativos em atividade que recebem o nível salarial máximo. No Senado, são 987 os analistas legislativos na ativa que recebem o maior salário, na faixa de R$ 28,8 mil.

O Congresso também tem salários, gratificações e vantagens pessoais de um total de 4.637 servidores ativos e inativos da Câmara e do Senado – que ou atingem ou ultrapassam o teto remuneratório do serviço público. Fazem parte desta lista, muitos deputados e senadores. Os que ultrapassam o limite sofrem cortes em suas remunerações, mas o número de aposentados que percebem valores privilegiados continua sendo alto.

“Sabemos que é importante uma reforma na Previdência, mas de forma que torne mais razoáveis estas aposentadorias de forma bem comparada para o tempo de serviço e tipo de trabalho desenvolvido por cada um. Reforma que deixa de fora determinadas categorias não vai ajudar a suprir as dificuldades econômicas observadas no país”, afirmou o cientista político Ricardo Campos. Campos está acompanhando as discussões sobre o tema e tem posição crítica, principalmente, em relação ao fato de os militares ficarem de fora.

“A questão não é destacar a existência ou não de um déficit da Previdência ou falar em reduzir privilégios, apenas. Nós também não queremos estes privilégios. O que reclamamos é o fato de não serem debatidas outras opções com a sociedade para resolver as contas da Previdência, que não prejudicariam direitos dos trabalhadores, como a cobrança de impostos sobre grandes fortunas, por exemplo, ou intensificação de cobrança de multas de empresas”, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS).

Paim lembrou que estudos levantados por deputados e senadores durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, no Senado, mostrou que o valor devido por grandes empresas à União por casos de sonegação previdenciária chega perto de RR 1 trilhão. Um montante que, se cobrado,  poderia ajudar a esquentar os cofres públicos.

Mas o tema ainda é objeto de muitos debates. Que o diga a confusão em torno de ser realizada ou não, ainda este ano, a votação da proposta da reforma na Câmara.

Generais da ativa que trabalharam com Bolsonaro em campanha presidencial pediram intensificação da atuação das Forças Armadas no Nordeste.

“Bolsonaro receberá a proposta de intensificação das ações militares em duas frentes: o abastecimento por meio de carros-pipa em regiões que sofrem com a falta de água e obras da transposição e de revitalização do Rio São Francisco. São iniciativas relacionadas, portanto, ao combate à seca.

(…) O carro-chefe seria a chamada Operação Carro-Pipa, conduzida diretamente pelo Exército. Segundo os dados oficiais do programa, o abastecimento de água em lugares que sofrem com a seca beneficia quase 4 milhões de pessoas. (…) O programa alcança ainda regiões áridas de Minas Gerais e Espírito Santo.”

Um levantamento realizado pelos professores Pablo Ortellado (USP), Fabrício Benvenuto (UFMG) e pela agência de checagem de fatos Lupa em 347 grupos de WhatsApp encontrou entre as imagens mais compartilhadas apenas 8% podendo ser classificadas como verdadeiras. O estudo buscou analisar o fenômeno da desinformação e das mensagens falsas em grupos na plataforma, que vem sendo apontada como principal espaço de disseminação desse tipo de conteúdo.

O estudo analisou conteúdos enviados entre os dias 16 de setembro de 7 de outubro, ou seja, em boa parte do 1º turno das eleições deste ano. A amostra trouxe 347 grupos monitorados pelo projeto Eleição sem Fake, da UFMG. Os resultados, portanto, não podem ser generalizados. Mas trazem indícios importantes para a compreensão deste fenômeno. Ao todo, eles reuniram mais de 18 mil usuários. No período, circularam 846 mil mensagens, entre textos, vídeos, imagens e links externos.

Das 50 imagens mais compartilhadas nos grupos checadas pela agência Lupa, considerando foto e texto, apenas quatro foram consideradas verdadeiras (8%), entre elas uma de Bolsonaro em uma maca e outra do autor da facada no candidato, Adélio Bispo de Oliveira. Do total, oito (16%) eram falsas, como a montagem de Dilma com Che Guevara.

Quatro (8%) foram consideradas insustentáveis, conceito da agência para conteúdos que não se baseiam em nenhum banco de dados público confiável, como fotos de Lula e FHC afirmando que os dois se reuniram para planejar assaltos a banco. Outras nove eram fotos reais, mas com alusões a teorias da conspiração sem comprovação.

Da amostra, sete fotos eram reais, mas tiradas de contexto, como um registro de Aécio Neves e Fidel Castro acompanhado da acusação do político tucano ter virado “aluno” do dirigente cubano. Três imagens foram consideradas sátiras, seis estavam associadas a textos de opinião, o que a agência não checa, e três não foram examinadas por não ser possível aferir se a foto havia sido tirada no Brasil ou não. No total, 56% das imagens que mais circularam foram consideradas “enganosas”.

Caso BNDES

O levantamento dos professores e da Agência Lupa detalhou o caso das mensagens sobre supostos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras fora do Brasil. De oito sobre o tema acompanhadas de fotos, apenas duas eram verdadeiras. Outras três traziam dados considerados “exagerados” e duas eram falsas, como a alegação de que o banco teria financiado um gasoduto em Montevidéu e o soterramento de uma ilha em Sarmiento, na Argentina.

Propostas

Os autores divulgaram propostas em artigos e em documento ao WhatsApp solicitando a redução da possibilidade de encaminhamento de mensagens para, no máximo, cinco destinatários. Hoje, este limite é de até 20 pessoas ou grupos. Segundo o professor da USP Pablo Ortellado, o WhatsApp respondeu que tal medida seria inviável.

“Nós discordamos. Na Índia, após uma série de linchamentos causados por boatos difundidos no aplicativo, o WhatsApp conseguiu implementar mudanças em poucos dias. Nossa situação é bastante grave. Estamos conclamando também o TSE e outras instituições com poder regulatório para agir”, escreveu Ortellado, em texto em sua rede oficial sobre o relatório.

A pressão contra Mark Zuckerberg dentro do Facebook começa a aumentar. Mais investidores da companhia se juntaram a uma solicitação para que o fundador da empresa seja removido da função de presidente do conselho da companhia, sob a acusação de que estaria acumulando poder excessivo.

Segundo o site Business Insider, quatro grandes investidores do Facebook, que controlam mais de US$ 1 bilhão em ações da companhia, se juntaram a uma solicitação realizada pelo grupo Trillium Asset Management pedindo uma redução dos poderes de Mark Zuckerberg.

Os acionistas em questão são Scott Stringer, da Controladoria da cidade de Nova York; Michael Frerichs, tesoureiro do estado de Illinois; Seth Magaziner, tesoureiro do estado de Rhode Island, e Joe Torsella, tesoureiro do estado da Pensilvânia. Com esses nomes, o coro pela deposição de Zuckerberg começa a ganhar mais força.

Hoje, Mark Zuckerberg ocupa o cargo de CEO da empresa, mas também acumula a posição de presidente do conselho. O documento proposto pela Trillium em julho, diz que um CEO que também chefia o conselho pode exercer influência demais sobre conselheiros, enfraquecendo o poder de supervisão da gerência da companhia. Assim, o ideal seria que o executivo fosse substituído por um presidente independente do conselho do Facebook, como fazem empresas como Apple, Google, Microsoft e tantas outras.

Entre os gatilhos para que essa proposta ganhe força estão as crises enfrentadas recentemente pelo Facebook, o caso da tentativa de interferência russa nas eleições presidenciais dos EUA em 2016, o escândalo da Cambridge Analytica, a situação de Mianmar, onde atos de violência acabaram incitados por meio da rede social. O ataque hacker recente que permitiu o vazamento de informações pessoais de 30 milhões de usuário também não ajuda a situação de Zuckerberg.

O problema é que, apesar de o Trillium ter apoio, com 51% dos acionistas independentes votando a favor das mudanças, é praticamente impossível realizar qualquer mudança na organização do Facebook se Zuckerberg não quiser, graças à estrutura acionária da companhia.

Hoje, a companhia tem dois tipos de ações: Classe A e Classe B. As ações Classe B têm um poder de voto 10 vezes maior do que as Classe A. E, para dificultar ainda mais, Mark Zuckerberg controla 75% das ações Classe B, o que faz com que ele tenha controle praticamente total sobre as votações da empresa. Assim, ele só sairá de um dos cargos que ocupa se renunciar de forma voluntária.