O casal de aposentados João Batista de Matos, 80 anos, e Ivonete Gomes de Matos, 81, preferiu não esperar o Dia de Finados (sexta, 2) e antecipar a limpeza do túmulo do filho Pedro Alexandre, morto em 1996 aos 23 anos, em decorrência de um acidente de trânsito. Enterrado no Cemitério Senhor Bom Jesus da Redenção, conhecido como ‘Cemitério de Santo Amaro’, localizado no bairro de mesmo nome, na área central do Recife, o espaço ganhou pintura nova e a limpeza foi realizada pelos próprios pais, nesta terça-feira (30).

“Essa é a nossa rotina há 22 anos. Sabemos que ali não resta mais nada do nosso menino, mas prezamos pelo túmulo dele e gostamos de visitá-lo, independente do Dia de Finados”, contou o aposentado, uma das poucas pessoas que circulavam pelas ruas do cemitério que, às vésperas da data dedicada aos mortos, ainda não registra fluxo de pessoas limpando ou preparando os túmulos e covas dos entes enterrados no local.

Rio de Janeiro 9 10 2018 O economista Paulo Guedes, que comanda o núcleo econômico da campanha do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, fala à imprensa.foto Fernando Frazão Agencia Brasil

O economista Paulo Guedes, principal assessor econômico do presidente eleito da República, Jair Bolsonaro, pediu desculpas na manhã desta terça-feira, dia 30, pela forma como se dirigiu ao papel da Argentina na política de comércio exterior do futuro governo, mas voltou a afirmar que a prioridade da política econômica será o ajuste fiscal por meio de corte de gasto e não o comércio bilateral com os argentinos.

“O nosso foco, o nosso principal problema são os desequilíbrios internos, o excesso de gasto público. Eu não quis em nenhum momento desmerecer a Argentina, o Mercosul. Eu quis dizer o seguinte: não é minha prioridade. A minha prioridade é o gasto público. Nada contra o Mercosul, nada contra a Argentina. Eu só disse que não é a nossa prioridade. Como eu estava afogado, com muito microfone em cima, disse que não era prioridade”, afirmou Guedes, ainda quando chegou à reunião entre Bolsonaro e seus principais assessores, na casa do empresário Paulo Marinho, na zona sul do Rio.

Após a confirmação da eleição de Bolsonaro no domingo, dia 28, Guedes afirmou que o Mercosul e a Argentina não eram prioridade do futuro governo, ao responder a pergunta de jornalista do jornal El Clarín.

CNI: Enfraquecer Mercosul é favorecer a China

O novo governo do Brasil precisa priorizar e fortalecer o Mercosul, sob pena de favorecer ainda mais as exportações da China. Esse é o alerta feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em nota divulgada nesta terça-feira.

“Se o governo brasileiro não der prioridade ao Mercosul, ou ainda pior, se reduzir a Tarifa Externa Comum de forma unilateral, o único ganhador é a China, que já vem tomando o mercado brasileiro em toda a América do Sul”, diz a nota divulgada pela CNI. “Pequenas e médias empresas, que exportam mais para esses países, serão as mais afetadas.”

A CNI lembra que a Constituição Federal estabelece, em seu artigo 4º, os princípios de atuação do Brasil nas relações internacionais. Entre eles, está a integração econômica dos países da América Latina. Em seu discurso após a divulgação do resultado das urnas, Jair Bolsonaro repetiu que obedecerá à Constituição.

A entidade da indústria defende o fortalecimento do Mercosul e o aprofundamento da agenda de integração regional. “O bloco é um complemento do mercado doméstico brasileiro e é o destino de exportação no qual a indústria tem maior participação”, diz a nota.

A Forcepoint agora conta com Luiz Faro como diretor de engenharia de sistemas para a América Latina.


Luiz Faro, diretor de engenharia de sistemas da Forcepoint para a América Latina. Foto: Divulgação.

A contratação está ligada à estratégia da companhia em expandir seus negócios para atendimento à demanda regional e elevar a capacitação e entendimento territorial do time de SEs (System Engineer).

Faro está baseado na subsidiária DO Brasil e responde a Wagner Tadeu, vice-presidente de vendas para a América Latina.

“Com o aumento e sofisticação das violações de dados é essencial mudar para uma abordagem de segurança focada em pessoas para entender o usuário e como ele interage com os dados críticos, bem como ter ciência das vulnerabilidades únicas que cada organização gera nesta interação”, diz Faro, que acrescenta,

Faro possui mais de dez anos de atuação em fabricantes como Symantec e RSA. Em sua última posição, liderou a equipe de Vendas Técnicas do Brasil e do Cone Sul na RSA, durante a aquisição pela Dell.

O executivo investirá na construção de um ecossistema de parceiros para apoiar o processo de entendimento das diferentes normas e desafios de cibersegurança do território.

“Cada país tem sua demanda e complexidade em termos de compliance corporativo, e precisamos adequar nossa estratégia caso a caso para a percepção por parte dos clientes de que nossa oferta é única e diferenciada para melhor atendê-los”, destaca.

No mercado desde 2016, a Forcepoint é um nome novo, mas tem grandes organizações por trás. A empresa é resultado da compra da Websense e da Stonesoft, uma companhia da Intel, por parte da divisão de cibersegurança da gigante de defesa americana Raytheon.

A operação no Brasil foi iniciada no mesmo ano da fundação. A empresa começou o trabalho com uma base consolidada de clientes a partir das empresas atendidas pela Websense, que já tinha presença no país, e o ecossistema de canais Intel, que vendia Stonesoft no Brasil.

O portfólio da empresa reúne sistemas que, além de protegerem a rede de ameaças externas, monitoram o comportamento dos funcionários para avaliar riscos de falhas (como abertura de e-mails com vírus) ou ações mal-intencionadas, como roubo de informações.

A companhia planeja aumentar a rede de parceiros e treinar os canais anteriores para atender todo o seu portfólio no Brasil.

A Forcepoint inclui em seu portfólio sistemas como DLP (Data Loss Prevention), UEBA  (User and Entity Behavior Analytics), CASB (Cloud Access Security Broker), Web/Email Security e Next-Generation Firewall (NGFW).

A Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (FETAPE) registra seu repúdio à prisão do dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Pernambuco, Jaime Amorim, na manhã deste sábado (27), na cidade de Caruaru.

Jaime Amorim foi detido, durante cerca de duas horas, depois de ter sido abordado por um homem, que se identificou como policial militar a paisana, enquanto distribuía exemplares do Jornal Brasil de Fato, durante um ato de panfletagem.

A FETAPE presta solidariedade ao companheiro Jaime Amorim e ao MST, destacando que esse caso reforça a necessidade de que o Estado de Direito seja assegurado no Brasil, assim como a liberdade de expressão.

Em entrevista na TV, o presidente eleito disse que iria convidar o magistrado para integrar o seu ministério ou o Supremo Tribunal Federal

Foto: Heuler Andrey/AFP
Em entrevista ao O Globo, o juiz federal Sergio Moro disse nesta segunda-feira (29), que não descarta a possibilidade de aceitar um convite de Bolsonaro para o Ministério da Justiça e que aceitaria a indicação para o STF.

O Juiz, que disponibilizou a delação de Antônio Palocci às vésperas do primeiro turno, que continha declarações contra o PT, afirmou que a volta do Partido dos Trabalhadores ao governo seria inaceitável. A interlocutores, ele disse que a vantagem de integrar a equipe de Bolsonaro seria afastar o temor de alguns setores da sociedade de algum tipo de quebra do Estado Democrático e de Direitos.
Em entrevista na TV, Jair Messias Bolsonaro demonstrou interesse em convidar o magistrado para integrar o seu ministério ou ocupar um cargo no Supremo, mas não sabe ainda em qual pasta.

O ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira (29), por meio do Twitter, que os ataques feitos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) à Folha de S. Paulo são um “acinte a toda a imprensa”. Ainda segundo o tucano, “alguns fazem críticas aos seus críticos porque não conhecem seus próprios limites.”

“Começou mal. A defesa da liberdade ficou no discurso de ontem”, publicou Alckmin no Twitter. “Os ataques feitos hoje pelo futuro presidente à Folha de São Paulo representam um acinte a toda a Imprensa e a ameaça de cooptar veículos de comunicação pela oferta de dinheiro público é uma ofensa à moralidade e ao jornalismo nacional. É pretender substituir a liberdade de Imprensa pelo clientelismo de Imprensa. Alguns fazem críticas aos seus críticos porque não conhecem seus próprios limites. O futuro Presidente vai ter de conviver e de respeitar todos e, em especial, os que a ele dirijam críticas.”

Presidenta Nacional do PT anuncia uma série de agendas para evitar retrocessos e a primeira luta será barrar a reforma da Previdência ainda este ano

30/10/2018 17h51 – atualizado às 18h16
Paulo Pinto

Gleisi, Paulo Pimenta e Guimarães participam de coletiva de imprens

Menos de dois dias após o fim das Eleições, o governo eleito já deu início à articulação para dar continuidade à agenda de retrocessos colocada em prática pelo golpista Michel Temer como a reforma da Previdência. E barrar a movimentação do radical da extrema-direita para acelerar medidas, que sequer foram debatidas com a população, será a prioridade imediata das bancadas do PT, conforme antecipou nesta terça-feira (3) a presidenta do partido, a senadora Gleisi Hoffmann. “A primeira resistência agora é impedir que a aliança entre Temer e Bolsonaro retire direitos da população brasileira”.

Durante o pronunciamento concedido logo após reunião da Comissão Executiva Nacional do Partido em São Paulo, Gleisi também enalteceu a militância e a postura propositiva de Fernando Haddad, a quem chamou de grande liderança do partido ao lado de Lula. “O PT, apesar de não ter conquistado à Presidência, demonstrou resistência e sai fortalecido. O papel do Haddad, agora mais do que nunca, é de extrema relevância em todo o cenário nacional (…) A defesa da liberdade do ex-presidente Lula também seguirá no centro da nossa luta “, completou.

Paulo Pinto

Fernando Haddad participa da reunião da Executiva do PT

Sobre a reforma da Previdência, a preocupação é ainda mais urgente, já que o extremista do PSL deixou claro que irá se aproximar do governo ilegítimo antes mesmo do dia 1º de janeiro para “aprovar alguma coisa do que está em andamento lá, como a reforma da Previdência, se não o todo, parte do que está sendo proposto”.

Para Gleisi, barrar novamente a proposta que afetaria a aposentadoria de milhões de brasileiros e brasileiras é a primeira grande luta que será travada pela oposição contra o futuro governo. “Já fizemos isso antes e faremos de novo porque consideramos que a reforma retira direitos do povo brasileiro. Ela não tem o apoio popular. A proposta não foi debatida pela população nem pelo Temer, nem pelo Bolsonaro. Ela não está no programa de governo do candidato, ela não foi levada a debate. Portanto, não há legitimidade nem dele, nem de Temer para aprovar uma reforma desta envergadura”, avaliou a presidenta.

Outras pautas também preocupam Gleisi: uma delas é a sessão onerosa do Pré-sal que está no Senado. “Estão fazendo articulação de conluio entre os governos de Temer e Bolsonaro para que a entrega do patrimônio que pertence aos brasileiros seja aprovada o mais rápido possível.  Nós achamos que este projeto é um crime de lesa-pátria contra a soberania nacional e os interesses do Brasil”.

Autoritarismo e violência

O discurso de ódio foi a marca registrada de Jair Bolsonaro durante a campanha e suas implicações futuras também despertaram resposta imediata das bancadas do PT no Congresso. Com vasto histórico de ataques a gays, negros, mulheres, pobres e nordestinos, Bolsonaro ampliou a sua violência verbal ao prometer acabar com os movimentos sociais do país.

Para isto, já articula para colocar em prática mais um absurdo: transformar qualquer movimento ou manifestação em ato de terrorismo. “Isso é uma tragédia nas liberdades dos movimentos populares e isso nos preocupa muito. Vamos nos colocar contrários e esperamos que esta seja a movimentação de todos os partidos”, prosseguiu Gleisi.

Paulo Pinto

Reunião da executiva nacional com Haddad

Para enfrentar a anunciada violência do próximo governo, o PT pretende criar uma rede democrática de proteção solidária que envolve diversas frentes da sociedade: “Vamos organizar todos os advogados do partido e todos aqueles que militam na área de direitos humanos. Vamos fazer um convite a juízes pela democracia para que possamos ter a resposta pronta para denunciar violações aos direitos humanos e civis e também à liberdade de expressão”.

Proteção a Lula

Grande parte do ódio disseminado pelo candidato do PSL tem como alvo o ex-presidente Lula, que deixou o cargo com mais de 85% de aprovação e revolucionou o Brasil. Diante das ameaças, outra decisão extraída após a reunião com a Executiva Nacional do PT foi a criação de uma corte de solidariedade democrática pela liberdade de Lula.

“Nós nos preocupamos muito com isso. O último discurso do candidato eleito não tem a ver com os direitos das pessoas: ele disse que quer deixar Lula apodrecer na cadeia. Tememos até pela vida do ex-presidente. Ele tem que ter seu processo julgado de forma justa. Ninguém pode decidir o que fazer com ele antes do seu processo ser julgado de forma justa. É isto que vamos fortalecer em nossa luta”.

A corte de solidariedade também passa pela criação de observatório internacional. “Queremos que o mundo olhe para a nossa população indígena, para a nossa população negra, para os LGBTs, para os movimentos sociais e que a gente também tenha a quem recorrer internacionalmente e garantir o direito de liberdade de expressão, integridade dos jornalistas, enfim para tudo aquilo que construímos a partir da Constituição de 1988”, concluiu Gleisi.

Por Henrique Nunes da Agência PT de Notícias

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse na segunda-feira (29) que pretendia convidar o juiz Sergio Moro para o Supremo Tribunal Federal (STF), mais tarde, quando abrisse uma vaga, ou para o Ministério da Justiça, imediatamente. “Moro deu grande contribuição para o país”, disse Bolsonaro.

O magistrado, que é juiz de primeira instância, declarou nesta terça-feira (30) que, se o convite se oficializar, vai refletir sobre o assunto. “Será objeto de ponderada discussão e reflexão”, disse Moro em nota.

“Sobre a menção pública pelo Sr. Presidente eleito ao meu nome para compor o Supremo Tribunal Federal quando houver vaga ou para ser indicado para Ministro da Justiça em sua gestão, apenas tenho a dizer publicamente que fico honrado com a lembrança. Caso efetivado oportunamente o convite, será objeto de ponderada discussão e reflexão”, diz o juiz, em nota.

Apesar dos argumentos de que mudanças pretendidas pelo governo Temer tornariam mais equânimes as aposentadorias, algumas categorias continuarão com privilégios
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 11/12/2017 15h20

Brasília – Apesar dos argumentos que têm sido propagados por integrantes do governo Michel Temer de que a proposta de reforma da Previdência vai ajudar a acabar com grandes aposentadorias, equiparar cálculosbenefícios de forma mais equânime e corrigir distorções nos valores pagos aos brasileiros que trabalharam durante o mesmo período e executaram funções semelhantes, não é isso o que apontam estudos feitos por várias entidades.

Especialistas em contas públicas afirmam que, da forma como está disposto, o texto em tramitação afetará de forma muito pequena os privilégios hoje observados. Isto porque, em muitos casos, as altas aposentadorias correspondem a direitos adquiridos (como no Legislativo) por servidores que recebem o teto de suas categorias ou porque determinados setores não serão atingidos pelas regras previdenciárias, como os militares.

Para se ter ideia, conforme dados do IBGE de 2016, enquanto o benefício médio pago pelo INSS é de R$ 1.862, um aposentado do Congresso ganha, em média R$ 28.527, e do Judiciário, R$ 25.832. Entre os três poderes, a menor aposentadoria média é a dos funcionários do Executivo, que está em R$ 7.500 em média – valor, este, aproximado ao dos militares.

No caso dos militares ficou acertado que Ministério da Defesa e Forças Armadas vão preparar, posteriormente, uma proposta de previdência específica para eles. Mas a situação é considerada preocupante por conta das diferenças de gasto da União com estas aposentadorias.

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de junho passado afirma que o gasto da União com as aposentadorias dos militares é 17 vezes maior que o gasto com um aposentado comum. O tribunal destacou, após avaliação das contas da Previdência, que enquanto a despesa com cada beneficiário do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) custou em 2016, R$ 5.130,66 na média, com cada militar inativo ou pensionista de militar o gasto ficou em R$ 89.925,30.

A explicação é simples. No RGPS, a Previdência recebe contribuições de empregados e de empregadores. Mas no caso dos militares, é o próprio Tesouro o responsável por todas as despesas.

O levantamento do TCU também mostra que o Tesouro gastou em 2016, R$ 56.893,32, em média, com cada beneficiário do RPPS que atende especificamente aos servidores públicos federais – valor 11 vezes maior ao gasto com quem recebe pelo RPPS.

Encargos e pensões

No Judiciário, a última edição do estudo intitulado Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que faz uma espécie de recorte de todos os tribunais, destacou que o gasto médio com cada julgador (incluindo nessa conta juízes, magistrados e ministros) no Brasil é de R$ 47,7 mil por mês.

Neste valor estão incluídos, além do salário, benefícios como férias e 13º salário e despesas indenizatórias – caso de diárias, passagens e verbas de auxílio moradia. Também estão incluídas nesta conta aposentadorias, encargos de INSS e pensões a familiares.

Os responsáveis pelo estudo destacaram que o valor não significa dizer que os juízes estão recebendo acima do teto constitucional (de R$ 33 mil), mas que o gasto calculado do Judiciário levou em conta todos os pagamentos feitos aos magistrados e não apenas os salários. O valor representa um crescimento de 3,3% dos gastos do Judiciário na média mensal calculada em 2015 –  percentual que se refletiu para as despesas com aposentadorias.

Também no Congresso Nacional, o principal gargalo nas aposentadorias não poderá ser resolvido com a reforma, porque os servidores que mais recebem altos salários têm direito adquirido. De acordo com análise feita pelo jornalista Lúcio Vaz para o site Congresso em Foco (divulgado em fevereiro passado), o Congresso tem 5 mil servidores de carreira na ativa e 10 mil aposentados e pensionistas.

A conta da Previdência é deficitária no caso do Legislativo, sobretudo, porque enquanto a proporção entre contribuintes e beneficiários no INSS é de dois por um, na Câmara dos Deputados e no Senado essa proporção se inverte: dois aposentados para cada servidor na ativa. Além disso, o acúmulo de vantagens pessoais e gratificações e a maior concentração de servidores aposentados no topo da carreira acentuam ainda mais o desequilíbrio.

Segundo o trabalho realizado pelo Congresso em Foco, no total, Câmara e Senado arrecadam R$ 718 milhões de seus contribuintes por ano. Mas precisam pagar, anualmente, R$ 3,1 bilhões em benefícios para tentar fechar essa conta. Ou seja: o déficit é de R$ 2,4 bilhões ao ano. E a situação não vai mudar por enquanto, já que os servidores que estão na ativa e possuem os altos salários, não serão afetados pela reforma (têm direito adquirido).

Salários no teto

Dados das mesas diretoras das duas Casas legislativas mostram que, somente na Câmara, são 11.036 analistas legislativos em atividade que recebem o nível salarial máximo. No Senado, são 987 os analistas legislativos na ativa que recebem o maior salário, na faixa de R$ 28,8 mil.

O Congresso também tem salários, gratificações e vantagens pessoais de um total de 4.637 servidores ativos e inativos da Câmara e do Senado – que ou atingem ou ultrapassam o teto remuneratório do serviço público. Fazem parte desta lista, muitos deputados e senadores. Os que ultrapassam o limite sofrem cortes em suas remunerações, mas o número de aposentados que percebem valores privilegiados continua sendo alto.

“Sabemos que é importante uma reforma na Previdência, mas de forma que torne mais razoáveis estas aposentadorias de forma bem comparada para o tempo de serviço e tipo de trabalho desenvolvido por cada um. Reforma que deixa de fora determinadas categorias não vai ajudar a suprir as dificuldades econômicas observadas no país”, afirmou o cientista político Ricardo Campos. Campos está acompanhando as discussões sobre o tema e tem posição crítica, principalmente, em relação ao fato de os militares ficarem de fora.

“A questão não é destacar a existência ou não de um déficit da Previdência ou falar em reduzir privilégios, apenas. Nós também não queremos estes privilégios. O que reclamamos é o fato de não serem debatidas outras opções com a sociedade para resolver as contas da Previdência, que não prejudicariam direitos dos trabalhadores, como a cobrança de impostos sobre grandes fortunas, por exemplo, ou intensificação de cobrança de multas de empresas”, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS).

Paim lembrou que estudos levantados por deputados e senadores durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, no Senado, mostrou que o valor devido por grandes empresas à União por casos de sonegação previdenciária chega perto de RR 1 trilhão. Um montante que, se cobrado,  poderia ajudar a esquentar os cofres públicos.

Mas o tema ainda é objeto de muitos debates. Que o diga a confusão em torno de ser realizada ou não, ainda este ano, a votação da proposta da reforma na Câmara.