© REUTERS / Rafael Marchante (Foto de arquivo)  Moro diz a juízes que se inspirou no italiano Falcone para deixar toga

FREDERICO VASCONCELOS – O juiz federal Sergio Moro enviou mensagem aos magistrados da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) em que revela ter se inspirado no juiz italiano Giovanni Falcone, da Operação Mãos Limpas, para decidir trocar a toga pelo comando do ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro (PSL).

Eis a mensagem que Moro enviou aos colegas nesta sexta-feira (2):

“Prezados colegas magistrados federais,

A todos que me endereçaram congratulações aqui, meus agradecimentos.

Foi uma decisão muito difícil, mas ponderada.

Em Brasília, trabalharei para principalmente aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado, com respeito à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais.

Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.

Da minha parte, sempre terei orgulho de ter participado da Justiça Federal e os magistrados terão sempre o meu respeito e admiração. Continuem dignificando a Justiça com atuação independente (mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça).

Abs a todos,

Sergio Fernando Moro”

Em abril de 2015, Moro revelou à jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor, quais foram os juízes que motivaram sua atuação na Lava Jato.

Além de Falcone, ele mencionou Earl Warren e Gilson Dipp.

Segundo explicou, Warren tirou a Suprema Corte dos EUA “do pelotão auxiliar do macarthismo para colocá-la na linha de frente da luta pelos direitos civis”.

Falcone, depois de conseguir a condenação da Cosa Nostra, na Itália, “dedicou-se a projetos de lei antimáfia”.

Dipp, um dos principais artífices das varas de crimes financeiros, foi, segundo a jornalista, “um dos juízes mais temidos pelos escritórios de advocacia do país”.

Maria Cristina observou que “o ministro aposentado do STJ foi preservado no oratório do comandante da Lava Jato a despeito do seu parecer contra a espinha dorsal da operação, a delação do doleiro Alberto Youssef”.

“A assessores que lhe cobraram a preferência, Moro disse que o parecer não é do juiz, mas do advogado”, registrou ela. Com informações da Folhapress.

Irmã lembra com saudade daquela conquista emblemática em 1988

Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2018 | 05h00

Dia 30 de outubro de 1988, circuito de Suzuka. Ayrton Senna tem a sua McLaren mais uma vez posicionada na ponta do grid de largada, mas vê o motor do carro apagar e cai logo de cara para a 14ª posição. O que se desenhava como uma decepção, porém, foi transformado pelo brasileiro em uma grande corrida de recuperação e, já na 27ª volta das 51 daquele GP do Japão, ultrapassou o rival e companheiro de equipe, Alain Prost, para assumir a liderança e não mais perdê-la até a bandeirada final. A heroica vitória garantiu ao saudoso ídolo o primeiro dos seus três títulos na Fórmula 1.

Trinta anos depois daquela emblemática conquista, a família Senna ainda exalta o grande legado deixado pelo piloto, morto de forma trágica em 1994 no GP de San Marino, dentro e fora das pistas. E a própria imagem inabalável de Ayrton, sempre atrelada a uma lembrança de quem se consagrou como um dos maiores nomes da história do automobilismo e do esporte mundial, continua colhendo frutos.

S11 ARQUIVO 1990 ECONOMIA FORMULA 1 Ayrton Senna era bicampeão mundial de F-1
Foi no GP do Japão que o brasileiro Ayrton Senna sagrou-se bicampeão mundial de Fórmula 1. O curioso é que ele forçou colisão com Alain Prost para que os dois abandonassem a prova. Com isso, Senna já tinha pontos suficientes para levar o campeonato. FOTO NIGEL SMUCKATELLI

Primeiro título de Ayrton Senna na Fórmula 1 completa 30 anos

À reportagem do Estado, a irmã de Ayrton, Viviane Senna, qualificou a entidade que leva o nome do piloto e é presidida por ela como o maior presente para as gerações futuras que se inspiraram nos feitos do herói. Entre outras coisas, Viviane também lembrou com saudade daquela conquista emblemática que completa 30 anos nesta terça-feira. Confira na entrevista a seguir:

Como irmã do Ayrton, que viveu intensamente e de maneira próxima aquela conquista de 1988, quais são as principais lembranças que a senhora destacaria daquele título?

Eu lembro que o Ayrton viveu intensamente aquela temporada do primeiro título dele na Fórmula 1. As vitórias foram muito marcantes, principalmente a última em Suzuka, quando ele precisou ultrapassar mais da metade dos adversários após o problema que teve na largada do GP do Japão. Ele não desistiu, ultrapassou um por um, até superar o Alain Prost e vencer. Essa perseverança sempre foi algo muito marcante nas conquistas do Ayrton.

O Senna era uma pessoa muito humana e se tornou um grande ídolo que passou a ser venerado pelo público do Japão, que é apaixonado pelo automobilismo. O fato de ter conquistado o primeiro título da F-1 lá foi algo especial para a família?

O Ayrton sempre teve um carinho muito grandes dos fãs japoneses. Ele é considerado no Japão como um herói, como um samurai. A McLaren era equipada pelos motores Honda entre 1988 e 1992, então haviam muitos japoneses trabalhando na equipe e o público torcia realmente por ele. As conquistas do Senna foram importantes para que ele se tornasse tão especial para japoneses e a própria personalidade do Ayrton tinha relação com eles, já que o Ayrton sempre foi bastante profissional, dedicado, respeitoso e atencioso com todos. Com certeza foi um ótimo palco para o primeiro título mundial dele.

Ao rever as imagens daquela conquista de 1988, 30 anos depois, a senhora ainda se emociona? Nestas datas comemorativas de feitos do Ayrton, fica ainda mais difícil lidar com a ausência dele?

Trabalhar com o legado do Ayrton é sempre emocionante. As conquistas nas pistas e fora delas marcaram nossa família e todos os brasileiros. A saudade sempre estará presente em todos nós, então essas datas especiais de títulos, vitórias e outras conquistas ajudam a trazer de volta estas ótimas memórias.

Há alguma história curiosa ou fatos marcantes que a senhora possa destacar daquela conquista do Ayrton em 1988? A senhora lembra quais foram as primeiras palavras que ele lhe disse depois daquele título?

Uma história curiosa de 1988 aconteceu no treino classificatório do GP de Mônaco. Ele superou o Alain Prost por quase um segundo e meio no treino classificatório, uma eternidade na Fórmula 1. Nesse dia ele disse ter se sentido muito perto do limite, como se estivesse pilotando em outra dimensão. Ele falou que tinha atingido o máximo que podia com o carro e que nunca mais teve aquela sensação.

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Ayrton Senna do Brasil

Trinta anos após aquele título e 24 anos após a morte do Ayrton, a condição de grande ídolo na história do esporte segue sendo uma grande referência de história de sucesso. Como a senhora poderia qualificar este legado imenso que ele deixou como pessoa e como piloto para as gerações que vieram depois?

O Ayrton nunca se conformou com a realidade de falta de oportunidades que assola a maior parte do povo brasileiro, e sempre desejou fazer algo efetivo e eficaz para mudar essa realidade. Desse sonho nasceu o Instituto Ayrton Senna, que certamente é o maior legado do Ayrton fora das pistas. Afinal, como ele mesmo dizia, não podemos nos conformar de viver em uma ilha isolada sem olhar o mundo que está ao nosso redor. Além disso, é incrível ver o legado de valores que ele deixou. Ayrton nunca ganhou com o famoso “jeitinho brasileiro”, pois sabia que, para ser vitorioso de verdade, era necessário perseverança, foco, coragem, determinação e muito trabalho. Foi assim que ele se tornou um dos maiores ídolos da nossa história.

Como foi ver o Corinthians jogando recentemente com uma camisa que homenageou o Ayrton e trouxe a assinatura dele? Ele era realmente um grande torcedor corintiano ou não sofria tanto assim com as derrotas do time em sua época de piloto?

Foi uma linda homenagem que o Corinthians e a Nike fizeram para o Ayrton. Todas as peças da coleção ficaram muito bonitas, então ficamos bastante honrados. O Ayrton sempre teve o time do coração dele como acontece com milhões de brasileiros, mas a rotina de viagens dele pelo mundo do automobilismo acabava dificultando a proximidade dele com o futebol. Apesar disso, ele aproveitava para bater uma bola de vez em quando com os próprios pilotos.

Se o Ayrton ainda estivesse vivo, como a senhora acha que ele enxergaria a atual realidade do Brasil neste período tão tenso e de polaridades vivido no País?

Ayrton sempre foi uma pessoa que se preocupava muito com o País. Se estivesse vivo, certamente estaria engajado conosco nessa luta por um país melhor para todos.

A senhora acredita que hoje o Brasil é carente de ídolos da dimensão do Ayrton? Depois dele, nomes como o Guga no tênis, o Ronaldo no futebol e o Giba no vôlei se consagraram como ídolos nacionais, mas hoje o Neymar, por exemplo, parece longe de possuir o prestígio e o carisma que todos estes nomes conseguiram ter…

Acredito que compararmos ídolos do esporte é algo muito difícil de se fazer e com certeza deixaríamos de ser justos com algum atleta. Dentro do automobilismo já é difícil de compararmos, imagine então sendo atletas de modalidades diferentes. Todo esportista tem suas próprias convicções, sua maneira de pensar, mas é o talento e a força de vontade que fazem o esportista virar referência para os fãs. Por isso todos esses atletas obtiveram êxito em suas modalidades.

Como a senhora vê o fato de que o Instituto Ayrton Senna beneficia mais de 1,5 milhão de crianças e jovens de cerca de 600 cidades brasileiras? A senhora acredita que o legado da educação talvez seja o mais importante do Senna para o País?

Certamente o Instituto Ayrton Senna é o maior legado de Ayrton Senna, é o grande projeto que ele sonhou realizar e hoje é uma realidade, levando educação de qualidade para todas as partes do Brasil. O Ayrton, no início de 1994, já havia conversado comigo e dito que desejava fazer algo estruturado pelo país, e pediu minha ajuda. Infelizmente, não conseguimos ter uma segunda conversa sobre o assunto, mas levamos em frente esse sonho e fundamos em Novembro do mesmo ano o Instituto Ayrton Senna. Ao longo desses 24 anos de história, já estivemos presentes em mais de duas mil cidades, capacitamos mais de 220 mil educadores e, com isso, levamos ensino público de qualidade a mais de 22 milhões de estudantes. Sempre penso que tudo isso deixaria Ayrton bastante orgulhoso, mas, como perfeccionista que ele era, saberia que ainda é preciso fazer muito mais, e não podemos descansar enquanto não tivermos 100% das nossas crianças e dos nossos jovens com acesso a uma educação plena e de qualidade.

Na volta das atividades parlamentares após o segundo turno das eleições, possíveis mudanças no Estatuto do Desarmamento, uma das propostas do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), podem voltar à pauta da Câmara dos Deputados ainda neste ano.

O coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública, deputado Alberto Fraga (DEM-DF), disse nesta terça-feira (30) que as alterações no estatuto, em vigor desde 2003, podem ser analisadas ainda em novembro. Segundo ele, não há chance de revogação da lei.

O estatuto prevê que a pessoa declare a efetiva necessidade da arma, mas este requisito será suprimido. “Por ser muito subjetivo, estamos suprimindo do texto do estatuto o requisito que diz que precisa comprovar necessidade para o uso da arma”, disse Fraga.

Segundo o deputado, os outros requisitos para a posse e porte de arma deverão ser mantidos, como a exigência de não ter antecedentes criminais, comprovação de curso de tiro e exame psicotécnico e ter, no mínimo, 25 anos de idade para a compra de armas. Ontem, no entanto, em entrevista a emissora Record, Jair Bolsonaro falou em diminuir a idade mínima para compra de arma para 21 anos.

A tramitação da votação em plenário ainda pode ter alterações com a apresentação de substitutivos. Fraga informou que irá apresentar emenda para o que chamou de “porte rural”. “Para o morador do campo ter direito de portar uma arma nos limites da sua propriedade. Saiu dos limites, é porte ilegal de armas”, disse.

O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já sinalizou que o debate sobre o projeto que flexibiliza o estatuto pode ser levado a plenário ainda este ano.

Líder do PT e reeleito com mais de 133 mil votos, deputado pede união contra a ameaça fascista de Bolsonaro e mobilização pela libertação de Lula
29/10/2018 20h18
Gustavo Bezerra

Paulo Pimenta

 Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do PT na Câmara e reeleito com mais de 133 mil votos, a construção de uma frente ampla em defesa da democracia e a mobilização pela libertação do ex-presidente Lula são as principais tarefas da esquerda e dos setores sociais que foram às ruas contra a candidatura de Jair Bolsonaro no segundo turno da campanha presidencial.

Segundo Pimenta, em que pese a investigação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acerca do esquema de caixa 2 de Bolsonaro que serviu para disseminar “mentiras sórdidas” contra Fernando Haddad, o PT reconhece o resultado eleitoral e entende que o povo brasileiro delegou neste momento o papel de oposição para a legenda.

“Nós não estamos questionando o resultado das eleições, como Aécio Neves fez em 2014 e como o próprio Bolsonaro fez ao afirmar que não aceitaria outro resultado senão a sua vitória. Nós temos uma tradição democrática”, declarou Pimenta em entrevista ao PT na Câmara.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Qual a avaliação do resultado dessas eleições e da futura relação que haverá entre o futuro governo e o Congresso Nacional?

Pimenta: Em primeiro lugar é preciso que façamos uma leitura do que as urnas nos disseram. Todos sabem que o candidato que venceu a eleição conseguiu esse resultado a partir de um esquema criminoso de produção e distribuição, para dezenas de milhões de pessoas em todo o Brasil, de mentiras sórdidas contra Fernando Haddad e a nossa campanha em geral. E do outro lado nós obtivemos mais de 47 milhões de pessoas que votaram no candidato que representa o projeto antagônico ao vitorioso.

A essas pessoas se somam 31 milhões de brasileiros e brasileiras não compareceram às urnas e 11 milhões de votos brancos e nulos. Temos, portanto, quase 90 milhões de eleitores, entre as 147 milhões de pessoas aptas a votar nesta eleição, que não endossaram o projeto de Jair Bolsonaro. Esse é um importante contingente que merece ser ouvido e ser respeitado.

A oposição é o papel que o povo brasileiro nos delegou nesse momento e a nossa tarefa, o nosso desafio é ter o melhor desempenho possível para corresponder a essa expectativa de pessoas que querem uma resistência organizada, que seja a sua representante na luta em defesa da democracia, dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores e dos direitos e garantias individuais de cada cidadão e de cada cidadã que se sentem ameaçados pela proposta do candidato que venceu. Esse é o nosso papel e vamos exercê-lo de maneira plena, de maneira democrática, dentro daquilo que a Constituição estabelece como o papel de cada um no Estado Democrático de Direito como é o Brasil.

Você acredita que o governo vai conseguir formar uma base no Congresso? O senhor acha que é possível que o presidente eleito consiga acenar para os partidos de centro para poder tentar construir uma base?

Pimenta: O candidato vencedor vai enfrentar a partir de 1º de janeiro do ano que vem uma tremenda contradição. Porque ele fez um discurso para sociedade de ser a novidade na política, mas nós sabemos que ele é um político tradicional que está no Congresso Nacional há 28 anos, elegeu um filho deputado federal, o outro filho senador. Ele prometeu resolver uma série de problemas que a nossa população enfrenta hoje, mas para isso ele terá que ter apoio de partidos e políticos que estão na raiz desses problemas.

Ele vai ter que contar com o apoio dos partidos e parlamentares que colocaram Michel Temer no poder através de um golpe que serviu para recolocar o projeto neoliberal na condução do país, mesmo sendo derrotado nas urnas em 2014. Quantos dos eleitores que votaram nele sabem que o seu projeto é uma continuação piorada e mais agressiva do que Temer fez em um ano e meio? Quantos desses eleitores sabem que Bolsonaro terá que governar com os mesmos partidos que apoiaram o projeto que está destruindo a indústria nacional e colocando nossa economia de joelhos? Essa contradição está colocada e logo as pessoas vão perceber que foram induzidas ao erro, que foram enganadas.

O que se pode esperar desses últimos meses da legislatura atual no Congresso?

Nós temos agora, até o final do ano, temas muito relevantes, como a votação do orçamento. Nós temos uma preocupação muito grande com a possibilidade de se estabelecer um “consórcio”, uma aliança perversa entre Temer e Bolsonaro para que nesse ano ainda possam avançar uma pauta de redução de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, que atente contra nossa soberania e que reduza a democracia brasileira. Por isso vamos trabalhar de maneira incansável para impedir que os interesses desse “consórcio” possam se realizar.

Como o PT vai lidar com o novo presidente eleito nesse primeiro momento após o resultado e a partir de 1º de

É da tradição da política o reconhecimento do resultado das eleições por parte de quem não foi vitorioso. Em que pese nós sabermos que existe, com relação ao esquema criminoso de fake news movido por caixa 2, uma série de processos, de inquéritos e de investigações que deverão ser objeto de análise do TSE o mais rapidamente possível, nós não estamos questionando o resultado das eleições, como Aécio Neves fez em 2014 e como o próprio Bolsonaro fez ao afirmar que não aceitaria outro resultado senão a sua vitória, pondo em dúvida a lisura do sistema eleitoral brasileiro.

Daí a você esperar um gesto de cordialidade de alguém que durante a campanha eleitoral foi chamado pelo seu adversário de “canalha”, um adversário que disse em praça pública que um dos seus objetivos seria banir da vida pública quem pensasse diferente dele, além de ter dito que o próprio Haddad deveria ir para a cadeia… esperar que, diante disso, tenhamos gesto de cordialidade, é algo improvável. Teremos uma relação institucional, mas fica por aí. Nós temos uma tradição democrática. Nós perdemos três eleições antes de vencer em 2002 e sempre respeitamos o resultado das urnas.

Dentro do Congresso Nacional, nós dialogamos com todos. Sou líder da bancada do PT e dialogo com qualquer partido, mas um diálogo institucional não implica em redução do tom das nossas ações e discursos, não implica em arrefecimento das nossas opiniões. Nós seremos oposição, faremos uma oposição dura e combativa e é assim que funciona o regime democrático.

Como você analisa o fenômeno da violência nessa campanha? Você acredita que, passado o resultado das eleições, é possível apaziguar os ânimos da população?

A população responde à postura e à conduta das suas lideranças. Quando você tem uma conduta em que o discurso de ódio e de preconceito contra minorias e contra quaisquer pessoas que pensam diferente dele, é evidente que isso legitima as pessoas a agredir física e verbalmente homossexuais, a extravasar o seu ódio contra pessoas que defendem ideias de esquerda.

Ou seja, se você tem um líder político, um presidente eleito, que reconhecidamente professa um discurso de ódio e estimula a violência contra as pessoas que não pensam como ele, temos um cenário onde é difícil chegarmos a uma situação de paz e tranquilidade na política. Por isso nós temos uma enorme preocupação. Nós tivemos, nas primeiras horas após ao resultado das eleições, ataques no a aldeias indígenas no Mato Grosso do Sul; tivemos pessoas espancadas nas ruas; tivemos a casa de um apoiador do nosso candidato que foi queimada por apoiadores de Bolsonaro.

Discursos de ódio e intolerância legitimam condutas violentas de grupos que entendem que agora estão liberados para fazer o que bem entendam, para liberar com violência o ódio que estava guardado no armário. Temos essa preocupação com a violência na política brasileira, que é um elemento que foi introduzida por essa figura perversa do ponto de vista do que ela representa para a democracia.

E uma das nossas grandes preocupações nesse momento é a questão da segurança dos líderes políticos, dos militantes políticos das organizações sociais e dos partidos de uma forma geral, diante das tantas ameaças, ofensas e agressões que nós temos assistido no país nas últimas semanas. Há séculos as elites assassinam os líderes populares no Brasil, mas agora nós teremos um presidente da República que defende publicamente essa prática e isso é muito grave.

 

Quais são os desafios para o PT e a esquerda em geral após essas eleições?

As tarefas que temos pela frente são enormes. A liberdade de Lula e a construção de uma frente ampla são as mais urgentes fundamentais. Precisamos imediatamente, dentro e fora do Brasil, retomar a mobilização pela liberdade do presidente Lula. Nós temos essa luta como um imperativo moral, um imperativo categórico!

O Lula é a maior liderança popular que o Brasil conheceu e está confinado em Curitiba, sofrendo na pele as consequências de um golpe e da aliança perversa que levou a extrema-direita a governar esse país. Temos a tarefa de conquistar a sua liberdade porque ele é vítima de um processo fraudulento e, além disso, porque nós defendemos o seu legado e tudo aquilo que ele representa para o Brasil e para o mundo. Se ele não tivesse sido impedido pela Justiça de concorrer novamente à presidência, hoje nós estaríamos celebrando a sua eleição.

E como seria a “frente ampla” da qual tanto se fala?

Devemos colocar no centro da pauta política da esquerda e dos setores antifascistas a construção de uma frente ampla em defesa da democracia. Cabe aos nossos líderes dos diferentes partidos e representantes dos movimentos sociais a construção desse espaço com todos aqueles que estiveram conosco no 2º turno. As milhões de pessoas que foram às ruas conosco deram o recado e disseram que estão dispostas a resistir e lutar.

Devemos transformar essa catarse antifascista num grande movimento que impeça o avanço da extrema-direita e não permita a implantação de um projeto autoritário e ultraneoliberal, como Bolsonaro pretende. As experiências de outros países podem nos inspirar, mas teremos que construir um arranjo próprio, adequado ao nosso cenário e às características de cada ator político que vai compor essa frente.

Nós tivemos milhões de pessoas que saíram espontaneamente às ruas, em favor da candidatura de Fernando Haddad, mas sobretudo para dizer à população brasileira que nós não queremos uma ditadura nesse país, que nós queremos um país livre e que respeite a diversidade e a diferença. Não queremos um país homofóbico, racista, intolerante do ponto de vista religioso ou em qualquer outro aspecto da nossa vida em sociedade. Muitas pessoas antes da nossa geração lutaram para manter e recuperar a democracia e temos o dever de seguir e fortalecer essa luta. E uma frente ampla, com diversidade e unidade, é o caminho para isso.

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Escorregão diplomático de Paulo Guedes acende a luz vermelha no maior parceiro do Brasil na América Latina
30/10/2018 19h00
Reprodução

Mercosul e a Argentina não serão prioridade para o Brasil no governo Bolsonaro

O Mercosul e a Argentina não serão prioridade para o Brasil no governo Bolsonaro. A orientação foi revelada pelo economista Paulo Guedes ao jornal argentino Clarín e causa preocupação não só entre os países integrantes do bloco, mas nos representantes da indústria nacional.

Guedes, praticamente sacramentado como ministro da Fazenda do futuro governo do capitão, precisou pedir desculpas pela declaração. Mas o estrago já estava feito — e corroborado por outras sinalizações feitas por Bolsonaro e sua hoste no campo da política externa.

O futuro governo não vê vantagem na união alfandegária assegurada pelo Mercosul (integrado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai —com Bolívia em processo de adesão e Venezuela suspensa), preferindo uma zona de livre comércio para poder “comerciar com todo mundo”, sem levar em conta que a integração sul-americana estimula os parceiros a comprarem mais do Brasil.

“Sócio ameaça”

“O sócio agora é uma ameaça”, reagiu o jornal argentino Página 12, para quem a animosidade de Bolsonaro e sua hoste à Argentina seria fruto de uma “antipatia” pelo país vizinho e pelo Mercosul, mas também expressão de um plano de “feroz abertura” comercial que não interessa nem aos argentinos nem à indústria brasileira e muito menos aos trabalhadores do Brasil.

O diário argentino ressalta que “no plano mais estrutural”, a política de Bolsonaro vai se basear em privatizações na precarização das condições de trabalho o Brasil para garantir “mão de obra muito barata e extremamente domesticada” para tentar atrair investimentos. Isso pressionaria a Argentina a adotar medidas semelhantes para competir na lógica da “nivelação por baixo” em termos de condições de trabalho e salários.

O Página12 cita o economista brasileiro Eduardo Crespo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, para quem “a ideia de Guedes é bajar a intensidade da relação com a Argentina e alinhar-se aos Estados Unidos” o professor não descarta a tentativa de ressuscitar a ideia já derrotada da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).

“Argentina não é prioridade”

No último domingo (28), logo após a confirmação da vitória de Bolsonaro no segundo turno, Paulo Guedes foi indagado em entrevista coletiva pela enviada especial do Clarín, Eleonora Gosmann, sobre o futuro das relações do Brasil com o Mercosul.

Acusando o bloco de ser “ideológico”, Guedes tentava contornar o tema e ante a insistência da repórter, disparou: “Não, a Argentina não é prioridade. O Mercosul também não é prioridade. É isso o que a senhora queria ouvir? Conheço esse estilo. A Argentina não é prioridade. Para nós, a prioridade é negociar com o mundo todo”.

Após cair em si, Guedes se desculpou, nesta terça-feira (30), e botou a culpa do escorregão diplomático na jornalista Argentina, que o teria deixado “sufocado” (veja abaixo os links para as matérias do Clarín).

Parceiro de qualidade

Os parceiros do Mercosul, somados, representaram mais de US$ 292 bilhões em volume de exportações brasileiras, no período de 2007 a 2015. No período 2017/2018, o Brasil exportou um total de US$ 42,7 bilhões para os países do bloco.

Para se ter uma base de comparação, no mesmo período o maior importador de produtos brasileiros, a China (que compra soja, aço e óleo cru), principalmente, respondeu por US$ 311,9 bilhões das exportações do País. Os Estados Unidos (basicamente, importadores de petróleo bruto), compraram US$ 299,9 bilhões.

Mas, mais importante do que os valores vendidos ao Mercosul é a qualidade dessas exportações, onde predomina a produção industrial do setor automotivo e tratores.

Ou seja, a demanda do Mercosul contribui para a geração de empregos mais qualificados, formais e com melhor remuneração aqui no Brasil.

Números não explicam

O deslocamento do foco das relações diplomáticas e comerciais do Brasil na América Latina, privilegiando o Chile em detrimento da Argentina, não se explica pelos números registrados na balança comercial.

A Argentina é o terceiro maior importador de produtos brasileiros, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Entre 2003 e 2015, as vendas para o Chile, sétimo colocado entre os importadores de produtos brasileiros, somaram US$ 51 bilhões. No mesmo período, as exportações do Brasil para a Argentina totalizaram US$ 184,3 bilhões, volume 3,6 vezes maior.

No período 2017/2018, a Argentina importou um volume equivalente a US$ 29,89 bilhões, enquanto as compras feitas pelo Chile representaram US$ 9,67 bilhões, ou cerca de um terço.

Visitas

Outro ponto que está sendo tomado como sinalização de um esfriamento das relações do Brasil com a Argentina foi o anúncio da equipe de Bolsonaro sobre as primeiras viagens internacionais que ele faria, com a escolha de Chile, Estados Unidos e Israel.

Esse anúncio foi um dos temas da reunião desta terça-feira (30) do presidente argentino Maurício Macri com seu ministério.

Falando à imprensa, o chanceler argentino, Jorge Faure, tentou minimizar o desdém de Bolsonaro expresso nas declarações de Guedes e nas prioridades de sua agenda internacional. “São apenas manchetes de jornal”, disse ele ao Clarín, mas “os movimentos da próxima administração do Brasil causaram perplexidade na Casa Rosada”.

Nostalgia de Pinochet

Uma explicação para a preferência manifestada por Bolsonaro e sua hoste pelo Chile pode não ter nada a ver com o Chile real—uma democracia onde vale a Constituição, atualmente sob governo conservador.

Por várias vezes, o capitão/presidente já manifestou sua admiração pelo passado sombrio daquele país, os 17 anos da ditadura de Augusto Pinochet, responsável por pelo menos 40 mil assassinatos. Essa, sim, é uma escolha ideológica — além de nostálgica e descambando para o fetichismo.

Interlocutores próximos

Além disso, Jair Bolsonaro conta com entusiasmados interlocutores na extrema-direita chilena, como a presidenta do partido União Democrata Independente (UDI), Jacqueline van Rysselberghe, ligada à seita católica fundamentalista Opus Dei, e o ex-deputado José Antonio Kast, dissidente da UDI e hoje independente.

Tanto Rysselberghe quanto Kast fizeram questão de visitar Bolsonaro no Rio de Janeiro, em meados de outubro — os encontros foram realizados com menos de 24 horas de intervalo, nos dias 17 (com Rysselberghe) e 18 (com Kast).

O ex-deputado Kast representou a extrema-direita na última eleição presidencial no Chile.

Os temas dos encontros de Bolsonaro com Rysselberghe e Kast , informa o jornal chileno La Tercera, foram “a estratégia digital da campanha de Bolsonaro, suas propostas econômicas e as coincidências com o modelo de desenvolvimento chileno”.

Anunciado como o ministro da Fazenda de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes disse que vai eliminar “encargos trabalhistas” e abandonar o Mercosul

O Brasil não é propriedade do presidente eleito e de sua equipe. Deve-se respeitar as instituições democráticas, entre elas, a Câmara Federal. A bancada do PT, a maior da Casa, vai lutar contra os ataques aos direitos da classe trabalhadora.

Muita gente ficou indignada com a atitude de Pele quando sua filha estava internada no hospital em estado terminal, vítima de uma grave doença. Ela queria na época, ver o pai antes de morrer. Sua súplica foi acompanhada pelos noticiários, mas de nada adiantou, ela partiu sem ter realizado o sonho de falar com o “Rei do Futebol’, Edson Arantes do Nascimento.

A filha de Pele, Sandra, lutou para ter o reconhecimento do pai, para isso ele acionou a Justiça para conseguir realizar o exame de DNA, pois ele se recusava. Após os resultados do exame, ficou provado que ela de fato era filha de Pele.

Mesmo diante das provas oferecidas pela ciência, ele não aceitou tê-la como filha. Uma atitude que surpreendeu o público, ninguém conseguia entender o que levava Pele a nem sequer aceitar uma aproximação.

No início, muito se falou se todo o barulho não seria por conta da fortuna do craque, mas Sandra sempre procurou deixar claro nas entrevistas e declarações, que o sonho dela era receber o carinho do pai biológico e não queria o dinheiro dele, apenas os vínculos de pai e filha ela dizia ser o mais importante. Para provar que não tinha interesse no dinheiro, ela abriu mão de pensão.

Em meio a tantas emoções, exposição pública e tudo o mais, Sandra escreveu um livro sobre uma filha que o rei não queria conhecer.

O tempo passou, e depois de tantos anos da morte de Sandra, o que se tem notícia e de que o “Rei do Futebol’ sofre com problemas de saúde que o impede de andar, está solitário e tendo que se afastar dos eventos esportivos e de outros que costumava participar.